7500+ artigos disponíveis em stock
🎄 Regresso possível até 31.01.2023
Seu parceiro para astronomia
Revista > Prática > Conselhos e Truques > Nós ajudamo-lo a encontrar as oculares certas.
Prática

Nós ajudamo-lo a encontrar as oculares certas.

Sem oculares não há observação visual. Mas que oculares se adequam ao meu telescópio – e de quantas preciso realmente?

Okulare Teleskop Vergleich Stehend

Sabia que, ao que consta, era desejo do astrónomo francês Adrien Auzout construir um telescópio de 300 metros de comprimento para conseguir uma ampliação que lhe permitisse ver animais na lua? No século XVII havia um interesse generalizado por telescópios com elevada ampliação.
Daqui se conclui que sempre existiu o desejo de vivenciar os objetos no espaço de forma ampliada.
Vemo-las todos os dias, ouvimos falar delas e temos pena delas. Pessoas que optaram pelas oculares erradas. Mas esta estratégia vai ajudá-lo a tomar a decisão acertada.

Este artigo é para si, caso já se tenha questionado sobre como encontrar as oculares certas de forma fácil e rápida, sem ter de percorrer uma catrefada de livros ou sem se perder num emaranhado de teoria e fórmulas.

É que se reter esta informação, encontrará para cada telescópio as oculares certas.

O cálculo da ampliação é feito da seguinte forma:

Distância focal do telescópio/distância focal da ocular

As oculares são como lentes – ampliam a imagem produzida pelo telescópio e oferecem-nos uma experiência de observação.

Princípio básico 1: As grandes, as pequenas e respetiva utilização

No que toca aos tamanhos das oculares, não há muito a reter. Quando falamos de normalização, existem apenas dois tamanhos de oculares para telescópios astronómicos. Isto significa o seguinte: basta inserir as suas oculares no focador e está pronto!

Mas é realmente assim tão fácil?

As grossas com um efeito surpreendente

Os diâmetros das oculares são indicados em polegadas e raramente em milímetros. As oculares de 2” têm 50,8 mm de diâmetro e oferecem uma visibilidade fabulosa com ampliações reduzidas. São a escolha ideal quando procuramos objetos, observamos objetos extensos ou queremos desfrutar de uma panorâmica maximizada. Quando olhar pela primeira vez por uma ocular desta natureza, tenha em atenção o seguinte: os telescópios com um diâmetro de objetiva superior a 150-200 mm têm um focador para oculares de 2”.

As esguias

As oculares de 1,25” com um diâmetro de 31,7 mm são a norma e os modelos mais simples são normalmente oferecidos como acessório juntamente com o telescópio. As oculares de 1,25” são utilizadas para ampliações médias a altas e adequam-se à observação de crateras lunares, planetas ou enxames globulares.

Cada objeto requer ampliações diferentes, mas qual é a mais adequada para cada objeto?

Princípio básico 2: Três ampliações para ver tudo

No início, opte por mais qualidade e menos quantidade. Ter três ou quatro oculares é já um bom começo, desde que escolha uma ampliação baixa, uma média e uma ligeiramente mais alta. Por norma, isto permite-lhe cobrir um espectro alargado de objetos astronómicos. É preferível optar por três oculares de qualidade, com as quais obtém imagens nítidas e um bom contraste, do que ter sete oculares de qualidade mediana ou de má qualidade.

Teleskop Zenitspiegel Omegon Carbon Hand Okular

Princípio básico 3: A importância da pupila de saída

A pupila de saída é o feixe luminoso que entra no olho a partir da ocular. Trata-se normalmente de um pequeno círculo brilhante na ocular, que é visível a trinta centímetros de distância. A pupila de saída, vulgo PS, é extremamente relevante na escolha das oculares para cada objeto.

E é desta forma que o deve fazer: PS = Abertura do telescópio/ampliação

Quanto maior a PS, menor a ampliação.

E vice-versa: quanto menor for a PS, maior é a ampliação.

Retenha esta informação, porque ainda vamos precisar da PS.

Princípio básico 4: ampliação mínima, ideal e máxima

Bastam-lhe estes três tamanhos. Porquê? Porque lhe permitem cobrir uma vasta gama de ampliações e ver tudo. Com mais oculares vai apenas aperfeiçoar estas ampliações.

A mínima

Uma ampliação mínima é mais importante do que uma alta. No entanto, existe um limite inferior, abaixo do qual a observação deixa de fazer sentido. Trata-se da ampliação mínima. Neste caso, opte por uma ocular com uma longa distância focal. Caso tenha um focador de 2”, insira uma ocular de 2”, a qual oferece normalmente um grande campo de visão. O seu focador é mais pequeno? Então opte por uma ocular de 1,25”.

O cálculo da ampliação mínima é feito da seguinte forma: Abertura do telescópio em mm/7

Vamos exemplificar. Se a abertura do seu telescópio for de 200 mm, a ampliação mínima é de 28 vezes. A combinação com a ocular gera uma pupila de saída (PS) de 7 mm.

Este é, portanto, o diâmetro de luz que entra no nosso olho a partir da ocular. Importante: Sete milímetros é precisamente a abertura máxima da nossa pupila ocular. Se a PS fosse maior, a nossa pupila seria um diafragma e perder-se-ia a luz restante.

Dica 1:

Para o seu telescópio não precisa de optar por uma ocular que proporcione exatamente a ampliação mínima. Basta ter isto como ponto de referência e optar por uma ocular com uma ampliação reduzida.

Dica 2:
Procure um objeto sempre com esta ocular, uma vez que uma ampliação mínima lhe proporciona um campo grande. Uma ocular grande-angular permite-lhe expandir novamente o seu campo de imagem. As pequenas ampliações adequam-se ainda à observação de galáxias, aglomerados estrelares abertos e nevoeiro de hidrogénio.

A ampliação ideal

Quando se trata de uma ampliação média a alta, com a qual é obtida e aproveitada a capacidade de resolução teórica do telescópio, falamos de uma ampliação ideal ou útil. Esta ampliação é obtida quando um feixe luminoso com um diâmetro de 0,7 a 0,8 mm entra pela ocular. Por definição, a estrela é então um disco pequenino.

Ao ampliarmos, deixamos de obter os detalhes e passamos a ver apenas o tamanho do objeto.

Ampliação ideal: Abertura/0,8

Dica:

Um telescópio de 200 mm de diâmetro tem uma ampliação útil de 285 vezes. Este deve ser o seu valor de referência. É perfeitamente adequado para a observação de planetas e nebulosas planetárias.

A ampliação máxima

É aqui que as opiniões se dividem. Até quanto se pode ou deve ampliar? Dizemos o mesmo sobre a pupila de saída: com uma pupila de 0,5 mm, atingimos o limite de ampliação de um telescópio.

Aplica-se a seguinte regra geral: Abertura de objetiva x 2

Dica:

A ampliação máxima de um telescópio de 200 mm é de 400 vezes. Na prática, isto raramente faz sentido. A imagem é mais escura do que com uma ampliação pequena e, por conseguinte, adequa-se apenas a objetos brilhantes. E o horizonte tem de ser perfeito. Se não estiverem reunidas estas condições perfeitas, a ocular praticamente nem sai da mala.

Agora estamos preparados para encontrar as oculares certas.

A importância da distância focal e da abertura

Para a escolha das oculares certas, precisamos de mais uma coisa: a abertura e a distância focal do telescópio. É com base nestes valores que obtemos a razão focal. Exemplo: Um telescópio de 200 mm com uma distância focal de 1000 mm tem uma razão focal de f/5.

O cálculo das diferentes ampliações – e, neste caso, também das distâncias focais – é extraordinariamente simples:

para a distância focal mínima calcule 7 x f/5. Para um telescópio de 200 mm com uma razão focal de f/5, necessitaria de uma ocular com uma distância focal de 35 mm. Na prática, ninguém atinge uma abertura de pupila de 7 mm, pelo que é preferível que subtraia 1 a 2 mm da sua distância focal. Chegamos então a um valor de 33 mm e uma PS de 6,6 mm.

A distância focal ideal é calculada... espere! Não é necessário calculá-la, uma vez que corresponde exatamente à razão focal. Ou seja, f/5 corresponde a 5 mm.

A ampliação máxima é calculada através de uma fórmula simples: Razão focal/2. Para um telescópio de 200/1000 mm, obtemos uma distância focal das oculares de 2,5 mm.

Que oculares para que objetos?

É importante saber o que se consegue observar com uma determinada distância focal. Para nebulosas extensas recomendam-se ampliações pequenas com uma distância de 7-6 mm. Se a nebulosa for muito brilhante, também se pode optar por uma distância de 4-3,5 mm. No que respeita aos aglomerados estrelados abertos e galáxias, o recomendável é um valor entre 3,5 e 1,5 mm. Para os enxames globulares pode optar por uma ampliação mais alta desde que a PS esteja entre 1,5 e 1 mm. Caso pretenda observar estrelas binárias, pode ampliar ainda mais, entre 0,7 e 0,5 mm. Na tabela seguinte encontrará fórmulas simples para a ampliação e objeto.

De que oculares preciso para o meu telescópio?

Não compre sete oculares de qualidade inferior. É preferível comprar três a quatro oculares de boa qualidade. Porque infelizmente o que acontece é o seguinte: só mais tarde é que o seu telescópio revela o seu potencial.

Oculares de qualidade são a escolha acertada não só para si, como também para o seu telescópio.

Assegure uma distância interpupilar suficientemente grande, uma boa nitidez nas bordas, um campo de visão amplo e uma elevada transmissão da luz.

Comece por uma ocular para uma ampliação reduzida na gama mínima, uma ampliação média com uma PS de aproximadamente 1,5 mm e uma ampliação mais alta de cerca de 0,8 mm.

No telescópio de 200 mm, isto corresponde a uma ampliação de 28, 133 e 250 vezes, respetivamente. Não vai conseguir ver animais na lua mas, se não quiser se aborrecer tal qual um animal irado, opte por oculares de excelência e esqueça o kit que acompanha o telescópio.

Para isso deverá investir, no mínimo, cinquenta euros por ocular. Mas acredite em mim: cada observação noturna proporcionar-lhe-á uma linda experiência com a qual continuará a sonhar durante o dia.

Objeto
Distância focal recomendada
Ampliação recomendada
Procura
fx7
Abertura/7
Nebulosas
fx4
Abertura/4
Galáxias
fx3
Abertura/3
Pequenas galáxias
fx2
Abertura/2
Enxames globulares
fx1,5
Abertura/1,5
Planetas
fx1 ou fx1,5
Abertura/1 ou 1,5
Nebulosas planetárias
fx0,8
Abertura/0,8
Estrelas binárias
fx0,6
Abertura/0,6

Oculares recomendadas

Estes artigos também podem interessar-lhe:

Autor: Marcus Schenk

Marcus é astrónomo amador, redator, autor e um apaixonado pelo céu noturno. Desde 2006 ajuda pessoas a encontrar o telescópio certo e, atualmente, fá-lo através de textos e vídeos.

Viciado em café, o seu maior desejo é ter a sua amada máquina de café sempre consigo, até enquanto observa o céu estrelado.